Presencial
Dreamforce 2025

San Francisco tem esse efeito curioso… toda vez que eu volto, saio com mais perguntas do que respostas. E isso é um bom sinal. É a sensação de estar em um lugar onde a inovação não é só uma promessa, é como se fosse um protótipo do futuro rodando em produção.
Já estive na cidade algumas vezes, mas durante o Dreamforce tudo fica mais intenso. A cidade literalmente respira Inteligência Artificial. Vai além do comum, de outdoors de startups e big techs de IA espalhados pelas ruas, anúncios em ônibus, eventos paralelos acontecendo em cada esquina. É impossível não comparar com o Brasil e se perguntar quando veremos esse mesmo nível de densidade de inovação por aqui.

San Francisco é sempre inspiradora. Durante o Dreamforce, ela vira outra coisa.
TL;DR
O Dreamforce 2025 deixou claro o que realmente importa quando falamos de IA em produção real, não apenas em demos.
O equilíbrio entre criatividade e determinismo é essencial para aplicar IA com segurança em ambientes críticos.
Existem diferentes formas de construir agentes de IA, desde código até abordagens visuais e agentes que criam agentes.
Deep Context Engineering vai muito além de RAG e é um dos grandes desafios da IA enterprise.
Suporte a voz em agentes de IA não é só conveniência, é inclusão.
Tudo isso visto de dentro, em San Francisco, onde a Salesforce está redesenhando todo o seu portfólio para ser AI-first.
Dreamforce e Salesforce
O Dreamforce é um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, reunindo dezenas de milhares de pessoas de todos os continentes todos os anos. Esse ano foi algo em torno de 50 mil pessoas. Durante o evento, a cidade inteira entra no clima. Restaurantes, hotéis, ruas e prédios viram extensões do evento.
A Salesforce Tower, o prédio mais alto de San Francisco e um dos maiores da Califórnia, acaba funcionando quase como um símbolo físico do que a empresa representa hoje para o ecossistema global de tecnologia.
Não é exagero dizer que o Dreamforce é uma espécie de Disney da tecnologia corporativa. Tudo é grande, bem executado, pensado para escalar e para impressionar. Mas, mais importante, pensado para mostrar o que já está funcionando no mundo real.
Chegar antes do evento mudou tudo
Neste ano, cheguei alguns dias antes do evento oficial. Fui convidado para um treinamento hands-on focado nos grandes lançamentos de Inteligência Artificial da Salesforce, com destaque absoluto para o Agentforce.
Foram dias intensos e profundamente técnicos. Não era sobre keynote ou slide bonito. Era sobre testar, errar, entender decisões de arquitetura, limitações reais e aprendizados de quem está colocando agentes de IA em produção em escala global.
Esse tipo de visão não aparece no palco principal. Ela aparece quando você senta, constrói e questiona.
Dreamforce 2025: o ano em que tudo virou AI-first
Quando o evento começou de fato, uma coisa ficou clara. 2025 marcou um ponto de não retorno.
Todos os produtos da Salesforce estão sendo redesenhados para serem AI-first. Não como uma camada adicional ou um add-on, mas como parte do core. A IA deixou de ser algo experimental e passou a ser estrutural.
Entre uma palestra e outra, tive reuniões com clientes e parceiros da América Latina como Mercado Libre, iFood, Agibank, Banco do Brasil, entre outros. Também foi uma excelente oportunidade para reencontrar o time global. Trabalhar com pessoas extremamente técnicas, diretas e orientadas a resolver problemas reais é um privilégio enorme.
Os 4 grandes aprendizados do Dreamforce 2025 sobre Agentes de IA em produção
Depois de tudo o que vi, testei e discuti, os principais aprendizados do Dreamforce 2025 se consolidaram em quatro grandes desafios que nós da Salesforce identificamos ao longo de um ano ajudando grandes empresas a colocar agentes de IA em produção de verdade.
Determinismo vs Criatividade
Nem todo caso de uso pede uma IA criativa e solta. Em marketing, criatividade é uma vantagem. Em um core bancário, não.
Em muitos cenários enterprise, precisamos de agentes que sigam regras estritas, com condicionais claras, loops, variáveis de contexto e cadeias de instruções bem definidas. IA corporativa não é apenas gerar texto. É executar processos com previsibilidade, auditabilidade (se é que essa palavra existe haha) e controle.
Diferentes perfis de quem constrói agentes e por que isso importa
Outro aprendizado importante foi entender que não existe um único perfil de usuário.
Há quem queira controle total usando código para construir agentes. Há quem prefira um canvas visual, usando linguagem natural, mas com liberdade para definir regras, fluxos e exceções. E há um terceiro grupo emergente, talvez o mais interessante: o chamado "Vibe Agenting"… Um Vibe Coding de agentes.
É o conceito de um agente que ajuda a criar agentes. Um novo nível de abstração que muda completamente a velocidade de adoção e democratiza a construção de soluções mais sofisticadas.
Deep Context Engineering: indo muito além do RAG
Modelos de linguagem são tão bons quanto o contexto que recebem. Em ambientes enterprise, esse contexto vai muito além de um RAG simples.
Estamos falando de dados de engenharia, jurídico, comercial, produto, atendimento ao cliente, além de diagramas, imagens, gráficos, fluxos e esquemas. Construir agentes realmente úteis exige plataformas capazes de compreender e orquestrar múltiplas fontes de contexto de forma coerente e segura.
Esse é um dos maiores desafios reais da IA corporativa hoje.
Voz, canais e IA como ferramenta de inclusão
O último ponto, e talvez o mais negligenciado, são os canais de comunicação.
Suporte a voz em agentes de IA não é um detalhe técnico ou um luxo. É inclusão. Pessoas idosas, usuários com limitações visuais ou dificuldades motoras muitas vezes não conseguem se comunicar bem por texto.
Habilitar voz não é apenas sobre comodidade. É sobre acesso. É sobre ampliar quem pode se beneficiar da tecnologia.
Conclusão: o futuro da IA é menos hype e mais engenharia
Saí do Dreamforce 2025 com uma convicção ainda mais clara. O futuro da Inteligência Artificial nas empresas não será definido por demos bonitas ou promessas genéricas.
Ele será definido por quem consegue equilibrar inteligência com controle, contexto com escala e inovação com responsabilidade.
San Francisco ajuda a enxergar isso porque o futuro está visível ali, nos detalhes do dia a dia. O desafio agora é traduzir essa bagagem, essas conversas e esses aprendizados para a realidade das empresas brasileiras e latino-americanas.
É isso que me move. E é isso que continuo trazendo na mala toda vez que volto de lá.



